A comunidade Fundamentalist Church of Jesus Christ of Latter-Day Saints (FLDS), ligada a práticas como o poliamor, é o foco da nova série documental da Netflix, Trust Me: The False Prophet. A produção de quatro partes investiga a ascensão de Samuel Bateman, que se autoproclamou herdeiro de Warren Jeffs, um condenado por abuso infantil. Segundo a especialista em cultos e sobrevivente de abuso sexual, Dra. Christine Marie, Bateman teria sido ainda pior que Jeffs.

O que você precisa saber
- A série documentalTrust Me: The False Prophet, daNetflix, aborda os crimes deSamuel Batemandentro da comunidadeFLDS.
- Christine Marie, especialista em cultos, e seu maridoTolga Katasse infiltraram no grupo para coletar evidências.
- As filmagens capturaram abusos contra menores, levando a prisões e sentenças de longa duração, incluindo 50 anos para Bateman.
Infiltração e Evidências
Há uma década, antes da série documental da Netflix Keep Sweet: Pray and Obey, que detalhou os crimes de Warren Jeffs, Christine Marie e Tolga Katas se mudaram para Short Creek, Utah. Com o pretexto de filmar um documentário sobre os ensinamentos de Bateman, o casal obteve evidências de abusos contínuos, incluindo crimes sexuais contra menores. As filmagens foram entregues às autoridades locais, ao FBI e posteriormente à produtora da série.
A Perspectiva de Christine Marie
Apesar de não ter um crédito oficial de produtora, Marie explica que preferiu manter as mãos limpas para não influenciar a narrativa. Ela destaca que, como personagem central, não queria que suas próprias ideias infundissem o documentário. Katas atuou como produtor executivo devido à quantidade de filmagens que realizou, mas sem controle criativo.
Recepção e Impacto
Marie relata que a recepção do documentário dentro da comunidade FLDS tem sido surpreendentemente positiva. Muitos membros, que geralmente são reclusos e evitam a internet, têm assistido e compartilhado a produção. A série é vista como uma representação fiel da comunidade, ajudando a quebrar estereótipos sobre seus membros. A resposta da comunidade LDS (mórmons tradicionais) também tem sido positiva, com a igreja demonstrando apoio humanitário à região.
O impacto individual da série é notável, com relatos de pessoas que se sentiram fortalecidas para denunciar abusadores e buscar ajuda. Marie compartilha histórias de espectadores que foram inspirados a tomar medidas concretas após assistir ao documentário.
Vida em Short Creek e Futuro
Apesar da exposição, Christine Marie planeja continuar morando em Short Creek, onde tem amigos tanto dentro quanto fora da comunidade FLDS. Ela se sente necessária para ajudar os membros que não têm acesso à internet ou precisam de auxílio com tarefas cotidianas, como intervenções em despejos ou busca de informações. Sua casa funciona como um ponto de encontro seguro para reuniões entre membros FLDS e ex-membros.
Embora não planeje mais trabalhos de infiltração, Marie pretende usar seu conhecimento para ensinar forças policiais e serviços de proteção à criança. Ela busca empoderar vítimas e garantir que elas recebam o apoio adequado, em vez de serem criminalizadas. Ela menciona os casos de Nomz e Moretta Johnson, que foram coagidas e receberam sentenças criminais, como exemplos da necessidade de uma abordagem mais compreensiva.
Nomz, que agora tem 27 anos, está integrada ao mundo exterior, trabalhando remotamente e aprendendo sobre a vida fora do culto. Marie descreve que, apesar de sua inteligência e habilidades, Nomz ainda está se adaptando a aspectos culturais e sociais.
Marie afirma que os seguidores de Bateman, um subgrupo específico e não a comunidade FLDS em geral, a odeiam. No entanto, ela mantém uma postura de compaixão, mesmo ao encontrar pessoas que a olham com desconfiança.
Comparando Bateman e Jeffs, o consenso entre ex-membros que assistiram à série é que Bateman foi pessoalmente pior, embora Jeffs tenha impactado um número maior de pessoas.

Fonte: THR