A atriz, produtora e embaixadora da Boa Vontade da UNHCR, a Agência da ONU para Refugiados, Cate Blanchett, utilizou o palco do Festival de Cannes na última segunda-feira para revelar os cinco novos cineastas contemplados pelo segundo ciclo do Displacement Film Fund (DFF). A iniciativa, que se consolidou como um importante mecanismo de fomento no cenário cinematográfico global, busca apoiar e dar visibilidade ao trabalho de cineastas que possuem um histórico comprovado na criação de narrativas autênticas sobre as complexas experiências de pessoas deslocadas ao redor do mundo.



Os novos contemplados pelo fundo
A lista de selecionados desta segunda rodada é composta por nomes de peso e talentos emergentes, incluindo Bao Nguyen, o comediante e ator Mohammed “Mo” Amer, e a diretora Annemarie Jacir, conhecida por seu trabalho em Palestine 36. Completam o grupo de cineastas contemplados Rithy Panh e Akuol de Mabior. Cada um dos cinco cineastas selecionados receberá um subsídio de produção no valor de 100 mil euros (aproximadamente 116.350 dólares). O compromisso estabelecido é que os projetos finalizados tenham suas estreias mundiais durante o International Film Festival Rotterdam (IFFR) de 2027, que está agendado para ocorrer entre os dias 28 de janeiro e 7 de fevereiro.
Contexto e impacto da iniciativa
O Displacement Film Fund foi estabelecido em 2025 por Blanchett em parceria com o Hubert Bals Fund do IFFR, contando com o suporte de uma coalizão diversificada que inclui especialistas da indústria cinematográfica, criadores, líderes empresariais e filantropos. O objetivo central é utilizar o cinema como uma ferramenta poderosa para fomentar a empatia e promover mudanças positivas em tempos de incerteza global. Durante o anúncio em Cannes, onde o Japão figura como o País de Honra do Marché du Film 2026, foi revelado que a primeira safra de filmes do fundo, produzida em 2025, terá exibições no Tokyo International Film Festival em outubro. Além disso, foi confirmada uma exibição teatral no Film Forum de Nova York, um passo estratégico que qualifica os cinco curtas-metragens para consideração ao Oscar.
Compromisso com a diversidade narrativa
Refletindo sobre o sucesso do projeto, Cate Blanchett destacou que o formato de curta-metragem tem se mostrado um meio fantástico para essas narrativas, observando que a conexão do público com os primeiros cinco filmes foi extraordinária. Clare Stewart, diretora administrativa do IFFR, e Tamara Tatishvili, chefe do Hubert Bals Fund, reforçaram o privilégio de retornar a Cannes para celebrar o progresso da iniciativa. Segundo elas, os novos selecionados refletem uma amplitude de talento que navega pelas próprias experiências de deslocamento dos diretores. A primeira edição do fundo, realizada em 2025, premiou cineastas como Mohammad Rasoulof, Maryna Er Gorbach, Mo Harawe, Hasan Kattan e Shahrbanoo Sadat, cujas obras, incluindo Sense of Water, Rotation e Super Afghan Gym, estrearam com sucesso no IFFR 2026. O processo de seleção para esta segunda rodada foi rigoroso, estruturado em duas etapas e contando com um comitê de nomeação que incluiu a renomada jornalista e documentarista Waad Al Kateab, autora de obras como For Sama e We Dare to Dream.