Build A Rocket Boy demite 170 funcionários após lançamento de DLC

Estúdio responsável pelo jogo MindsEye enfrenta nova onda de cortes, reduzindo seu quadro para cerca de 80 profissionais.

A situação na Build A Rocket Boy, estúdio que se tornou o centro das atenções na indústria de jogos por motivos negativos, continua a se deteriorar. A desenvolvedora, responsável pelo lançamento de MindsEye — considerado por muitos como o jogo com as piores avaliações de 2025 —, acaba de passar por mais uma rodada massiva de demissões. Relatórios recentes apontam que aproximadamente 170 desenvolvedores foram desligados de suas funções nesta semana, um evento que ocorreu apenas poucos dias após a disponibilização da primeira expansão (DLC) para o título. Embora a empresa ainda não tenha emitido um comunicado oficial reconhecendo a magnitude dos cortes, a realidade interna aponta para uma redução drástica, deixando o estúdio operando com um quadro reduzido de cerca de 80 profissionais.

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Um histórico de expectativas frustradas

A trajetória da Build A Rocket Boy é marcada por um contraste entre a promessa inicial e a realidade do mercado. Fundada em 2016, a empresa foi estabelecida por Leslie Benzies, um nome de peso na indústria, conhecido mundialmente por sua liderança na Rockstar North e seu papel fundamental no sucesso da franquia grand theft auto. Com um veterano desse calibre no comando, o mundo dos games nutria expectativas elevadas para o primeiro grande projeto do estúdio. Contudo, o resultado foi o oposto do esperado: MindsEye tornou-se um dos maiores fracassos da história dos videogames. O título não apenas foi duramente criticado pela imprensa especializada, mas também enfrentou a rejeição dos jogadores, que apontaram um mundo vazio, uma narrativa sem brilho e uma série de problemas técnicos, bugs e falhas de desempenho que tornaram a experiência quase injogável. O desfecho foi um Metacritic de 39, consolidando o jogo como o pior avaliado de 2025.

O ciclo de instabilidade e silêncio da liderança

Esta não é a primeira vez que a Build A Rocket Boy enfrenta turbulências. Após o lançamento desastroso de MindsEye, o estúdio já havia passado por demissões em massa em junho de 2025 e, posteriormente, em março de 2026. A atual rodada de cortes, que atingiu cerca de 170 pessoas, eleva a preocupação sobre a viabilidade futura da empresa. O co-CEO, Mark Gerhard, tem sido uma figura central na comunicação do estúdio, frequentemente vocalizando suas opiniões sobre os problemas enfrentados, mas, até o momento, ele optou pelo silêncio em relação a esta última leva de redundâncias. Enquanto a liderança se mantém calada, o impacto humano é visível em redes profissionais como o LinkedIn, onde diversos ex-funcionários — incluindo analistas de garantia de qualidade (QA), designers de níveis e especialistas em áudio — anunciaram publicamente suas saídas.

Conflitos internos e teorias de sabotagem

A gestão de Gerhard tem sido alvo de intensos debates. Em episódios anteriores de demissões, o co-CEO reconheceu as pressões que a indústria de jogos enfrenta, admitindo que o estúdio não estava imune a tais dificuldades e classificando os cortes como uma “decisão profundamente dolorosa”. No entanto, o discurso de Gerhard frequentemente se desvia para teorias controversas. O executivo sugeriu, em múltiplas ocasiões, que o fracasso de MindsEye não seria puramente técnico ou criativo, mas sim o resultado de uma suposta sabotagem interna e externa. Segundo ele, o jogo estaria sob investigação por fatores que teriam prejudicado seu desempenho desde antes do lançamento, incluindo a alegação de que as primeiras prévias do jogo foram atacadas por críticos como parte de um “esforço pago”.

Essas alegações de sabotagem, que perduraram mesmo após o lançamento oficial, criaram um ambiente de trabalho hostil. A postura da diretoria gerou uma reação sem precedentes por parte da equipe: funcionários publicaram uma carta conjunta exigindo um pedido de desculpas formal dos executivos. Na missiva, os colaboradores denunciaram o que descreveram como um cenário de desrespeito, má gestão e um tratamento inadequado durante os processos de demissão. Com a equipe agora reduzida a um grupo mínimo de 80 pessoas, a Build A Rocket Boy enfrenta o desafio de manter suas operações em um momento onde a confiança entre a liderança e os desenvolvedores parece ter sido permanentemente abalada.

Fonte: GameRant