Beatrice escala Alma Pöysti e Valentina Bellè para novo drama

O longa de ficção científica explora dilemas éticos e identidade após uma mulher retornar à vida em um novo corpo, em uma coprodução internacional.

O cenário cinematográfico europeu acaba de ganhar um projeto ambicioso e instigante. A estrela finlandesa Alma Pöysti, cujo talento foi amplamente reconhecido pela crítica internacional após sua performance em Fallen Leaves, de Aki Kaurismäki — filme que conquistou o prestigiado Prêmio do Júri no Festival de Cannes e rendeu à atriz uma indicação ao Globo de Ouro —, foi confirmada como protagonista do novo longa-metragem intitulado Beatrice. Ao lado de Pöysti, o elenco principal será composto por Valentina Bellè, conhecida por suas participações em projetos de grande visibilidade como Ferrari e a série Catch-22, e pelo ator Priit Võigemast, que integrou o elenco do filme Truth and Justice, obra que figurou na lista de pré-selecionados ao Oscar.

lazyload fallback
Elenco principal de Beatrice
Elenco principal de Beatrice. Crédito: Kristjan Mõru

A direção do projeto está sob a responsabilidade de Vallo Toomla. O filme se configura como uma coprodução internacional de grande escala, unindo forças criativas e técnicas da Estônia, Lituânia e Itália. A premissa central de Beatrice mergulha em uma narrativa de ficção científica que, embora ambientada em um futuro próximo na Europa, mantém um foco profundamente humano e emocional. A história gira em torno de uma mulher que, após falecer em um trágico acidente de carro, retorna à vida e ao convívio com seu marido e filho. O grande conflito, contudo, reside no fato de ela retornar habitando um corpo inteiramente novo. Essa premissa força a protagonista a confrontar uma série de questões existenciais: será que seus entes queridos conseguirão reconhecê-la sob essa nova forma? E, mais importante, será que ela ainda pode ser considerada a mesma pessoa após uma transformação tão radical?

Uma reflexão sobre a condição humana

Durante as discussões sobre o desenvolvimento do projeto, Alma Pöysti descreveu Beatrice como um empreendimento fascinante. Segundo a atriz, o filme oferece uma abordagem humanista sobre um mundo futurista que, embora seja apresentado como um ambiente repleto de possibilidades tecnológicas, revela-se, na verdade, um cenário perturbador. Para Pöysti, a obra é uma exploração intrincada e comovente que circula por temas densos, como as escolhas éticas, a força dos instintos, a capacidade de empatia, a construção da identidade, a natureza do amor, a exploração do indivíduo e o peso dos sacrifícios necessários.

Valentina Bellè reforçou essa visão ao comentar sobre a dualidade do roteiro. Para ela, embora o filme se enquadre no gênero de ficção científica e carregue a estrutura de uma história de amor, sua essência reside na discussão sobre os corpos. Bellè argumenta que não é possível conceber o corpo humano de forma isolada das emoções que o habitam ou das histórias pessoais que cada indivíduo carrega consigo. A atriz pontua que a personagem Beatrice aprenderá, ao longo da trama, que após certos eventos traumáticos não existe um caminho de volta. O filme, portanto, torna-se uma jornada sobre como as transformações impostas pela vida nos moldam e sobre o desafio complexo de aprender a amar a si mesmo novamente diante de uma nova realidade.

Perspectivas da equipe técnica e produção

O ator Priit Võigemast destacou que o projeto ganha um significado especial por ser baseado em uma peça escrita pela dramaturga estoniana Siret Campbell. Para Võigemast, a qualidade do material original confere ao filme um alcance internacional, algo que é espelhado pela diversidade da equipe técnica envolvida na produção. Ele descreveu a experiência como uma oportunidade de trabalhar em uma história extremamente sensível e íntima, que coloca personagens em situações de desamparo, forçando-os a buscar respostas para dilemas atemporais. O ator expressou grande entusiasmo com o início das filmagens, afirmando que pretende aproveitar ao máximo cada dia de trabalho no set.

A produção de Beatrice está sendo conduzida pela Stellar Film, empresa liderada por Evelin Penttilä e Johanna Maria Tamm. Recentemente, a Apollo Film Productions também se juntou ao projeto, consolidando a força da coprodução. Tanel Tatter, representante da Apollo Film Productions, que trabalhará em conjunto com Veiko Esken, não poupou elogios ao roteiro de Siret Campbell. Tatter classificou o texto como uma obra poderosa e premiada, capaz de ressoar com uma audiência ampla, tornando inevitável que cineastas se interessassem em adaptar o material para as telas.

Além da qualidade do roteiro, Tatter destacou que a reputação e a capacidade da Stellar Film, especialmente sob a liderança de Evelin Penttilä, foram fatores decisivos para a entrada da Apollo no projeto. A habilidade da produtora em viabilizar filmes ambiciosos e de alta qualidade técnica é vista como um diferencial competitivo. A expectativa dos produtores é que Beatrice possua um potencial de distribuição robusto, tanto no mercado doméstico quanto no cenário internacional, onde o interesse por dramas de ficção científica com forte carga emocional tem crescido significativamente. O filme se posiciona, portanto, não apenas como uma peça de entretenimento, mas como uma reflexão necessária sobre os limites da tecnologia e a resiliência do afeto humano diante do desconhecido.

À medida que a produção avança, a expectativa do público e da crítica especializada aumenta, especialmente pela combinação de um elenco de prestígio europeu com uma narrativa que promete desafiar as noções convencionais de identidade e continuidade da vida. O projeto de Vallo Toomla se consolida como uma das produções mais aguardadas, prometendo ser um marco na exploração de temas contemporâneos através da lente da ficção científica, mantendo sempre o foco na sensibilidade humana que define as grandes obras do cinema.

Fonte: Variety