A icônica Barbra Streisand foi homenageada com a Palma de Ouro honorária durante a cerimônia de encerramento do Festival de Cannes. Embora uma lesão no joelho tenha impedido sua presença física no evento, a artista enviou uma mensagem em vídeo que emocionou o público presente no Palais des Festivals. A ausência de Streisand foi sentida, mas sua presença virtual foi celebrada com entusiasmo pelos presentes.

O que você precisa saber
- Barbra Streisandrecebeu aPalma de Ourohonorária em reconhecimento à sua trajetória no cinema, música e teatro.
- A atrizIsabelle Huppertfoi a responsável por apresentar a homenagem no palco, destacando o impacto deStreisandna cultura, seu apoio à comunidade LGBTQ+ e sua defesa de minorias religiosas e étnicas.
- A artista revelou que sua paixão pelo cinema começou ao assistir obras de diretores comoFrançois Truffaut,Ingmar Bergman,Federico FellinieAkira Kurosawa.

A trajetória de uma diretora pioneira
Durante seu discurso, Streisand relembrou os desafios enfrentados no início de sua carreira como cineasta. Ela destacou que, ao dirigir Yentl, em 1981, enfrentou resistência dos estúdios por ser uma mulher que desejava assumir o comando criativo. O projeto, que a tornou a primeira mulher a vencer o Globo de Ouro de melhor direção, levou 15 anos para ser concretizado. Ela explicou que, na época, ser uma mulher e, pior ainda, uma atriz que queria dirigir, era visto como um obstáculo intransponível pelos executivos dos estúdios, o que fez com que o projeto ficasse à beira do colapso por mais de uma década.
A artista enfatizou que a “paixão” necessária para realizar seus filmes é um sentimento compartilhado por todos os cineastas presentes em Cannes. Ela ressaltou a importância do cinema como uma ferramenta capaz de unir pessoas em um mundo cada vez mais fragmentado, celebrando a diversidade de visões artísticas apresentadas na 79ª edição do festival. Streisand refletiu sobre como, ao longo de sua carreira como atriz, ela começou a olhar para o filme como um todo, fazendo sugestões e questionamentos, sem perceber que já estava pensando como uma diretora, buscando formas de contar histórias que ela sentia necessidade de compartilhar com o mundo.
Uma conexão profunda com a sétima arte
Em sua mensagem, Streisand compartilhou memórias nostálgicas de sua juventude, mencionando um cinema próximo à sua escola secundária que exibia filmes em preto e branco de grandes mestres europeus e asiáticos. Ela descreveu ter ficado hipnotizada por aquelas imagens, que permaneceram em sua mente por anos, alimentando seu desejo de se tornar atriz e habitar aqueles mundos mais interessantes. Essa conexão emocional com o cinema estrangeiro foi, segundo ela, o alicerce de sua visão artística.
A cerimônia de entrega da Palma de Ouro incluiu uma retrospectiva visual da carreira de Streisand, com trechos de filmes marcantes como “Nosso Amor de Ontem” (The Way We Were), “O Espelho Tem Duas Faces” (The Mirror Has Two Faces), “Nuts”, “Nasce uma Estrela” (A Star is Born), “Up the Sandbox” e “Funny Girl”. O público no Palais reagiu com deleite ao ver a estrela na tela grande, reconhecendo sua contribuição inestimável para a história do cinema.
Reconhecimento e ausência justificada
A ausência de Streisand foi lamentada pela organização, mas a artista reforçou seu carinho pelo evento e pela França. Em nota oficial divulgada no domingo, ela explicou que, seguindo conselhos médicos rigorosos enquanto se recupera de uma lesão no joelho, não poderia realizar a viagem. Ela expressou que estava ansiosa para celebrar os filmes da 79ª edição e passar tempo com colegas que admira profundamente. Apesar da impossibilidade física, ela se sentiu honrada pela distinção e orgulhosa de fazer parte da comunidade cinematográfica global, encerrando sua mensagem com um entusiasmado “Merci beaucoup e vive le cinéma!”, reafirmando seu compromisso com a arte que a definiu.
O evento em Cannes serviu não apenas como uma celebração de sua carreira, mas como um lembrete da resiliência necessária para que artistas femininas conquistem seu espaço na indústria. A trajetória de Streisand, marcada pela persistência em realizar “Yentl” contra todas as probabilidades, serve como um farol para as novas gerações de cineastas que buscam contar suas próprias histórias em um cenário global que, embora volátil, ainda encontra no cinema um refúgio para a empatia e a união humana.
Fonte: Variety