O novo filme de terror Backrooms, produzido pela A24, chega aos cinemas cercado de expectativas e já apresenta um desempenho sólido entre a crítica especializada. Com 85% de aprovação no agregador Rotten Tomatoes, a produção dirigida por Kane Parsons, conhecido por sua série viral no YouTube, demonstra que a transição de criadores de conteúdo digital para o cinema de grande orçamento pode ser bem-sucedida. O projeto, que conta com um elenco talentoso composto por Renate Reinsve, Chiwetel Ejiofor e Mark Duplass, explora o conceito de espaços liminares que consolidou a fama da obra original na internet.


A recepção inicial destaca a atmosfera do longa, com diversos críticos descrevendo a experiência como assustadora e inquietante. O uso dos cenários de escritórios vazios e corredores infinitos, elementos centrais da mitologia criada por Parsons, é apontado como um dos pontos altos da direção. Embora o filme ainda não tenha atingido o número de avaliações necessário para o selo Certified Fresh, a marca de 61 críticas positivas sugere uma recepção favorável do público e da imprensa especializada, consolidando o nome do cineasta no cenário independente.
A recepção crítica e o estilo narrativo de Backrooms
A abordagem de Backrooms é descrita como uma experiência sensorial que prioriza a construção de um clima de tensão em detrimento de uma estrutura narrativa convencional. Esse estilo, que mistura elementos de found-footage com uma estética de pesadelo, reflete a natureza misteriosa dos vídeos originais que viralizaram na rede. Para muitos, essa escolha artística é um acerto, enquanto outros apontam uma certa falta de coesão na trama. Uma crítica publicada pelo TheWrap, por exemplo, classificou o filme como um passeio visual por ambientes perturbadores, questionando a falta de um fio condutor mais claro.
Apesar das divergências, o filme se destaca por tentar capturar sentimentos complexos que, por design, desafiam explicações lógicas. A A24, conhecida por apostar em produções autorais e esteticamente distintas, parece ter encontrado em Kane Parsons um talento capaz de traduzir a linguagem da internet para a tela grande. O sucesso de produções similares, como Obsession surpreende bilheteria e consolida cineastas da internet, reforça a tendência de mercado em valorizar novos nomes que surgem de plataformas digitais.
O cenário competitivo e o futuro dos cineastas digitais
O desempenho de Backrooms nas bilheterias será um teste importante para o gênero de terror em 2026. O filme enfrenta a concorrência direta de títulos como Passenger e Obsession, que também buscam atrair o público fã de produções independentes. A popularidade prévia do material de origem no YouTube atua como um diferencial competitivo, mas a sustentabilidade do sucesso dependerá do boca a boca nas próximas semanas. O interesse crescente por espaços liminares nas redes sociais também pode impulsionar a curiosidade do público geral.
O ano de 2026 tem se mostrado um período fértil para cineastas que migram do ambiente online para o cinema. Além de Kane Parsons, nomes como Markiplier, com a adaptação de Iron Lung, e Curry Barker, com Obsession, estão redefinindo as expectativas para produções de baixo orçamento. O fato de Parsons ter assumido a direção aos 19 anos de idade é um detalhe que impressiona a indústria, evidenciando que a criatividade e o domínio técnico de novas gerações estão moldando o futuro do horror. Mesmo com eventuais críticas sobre a coesão do roteiro, o projeto é visto como um passo promissor para a A24 e para o cinema independente como um todo.
A trajetória de Backrooms ainda está em aberto, com novas críticas sendo computadas diariamente. A oscilação na nota final é uma possibilidade real, mas o impacto inicial já coloca o filme em uma posição de destaque. A capacidade de transformar um fenômeno viral em uma obra cinematográfica com identidade própria é um desafio que poucos conseguem superar, e a recepção atual indica que o projeto conseguiu, no mínimo, despertar um debate relevante sobre a evolução do terror contemporâneo.
Fonte: Movieweb