O MMORPG Ashes of Creation encerrou suas atividades em circunstâncias controversas em fevereiro, logo após seu lançamento em acesso antecipado. A Intrepid Studios, responsável pelo Kickstarter de MMO mais financiado da história com US$ 3,3 milhões, demitiu em massa seus funcionários e seus fundadores praticamente abandonaram o projeto.


Uma das condições do projeto era que os apoiadores recebessem reembolso caso o jogo nunca fosse lançado. Muitos suspeitam que o lançamento em acesso antecipado, ainda incompleto, foi uma tentativa de contornar a exigência de reembolsar os jogadores, levando a Intrepid Studios a “lançar” o jogo e, em seguida, encerrar suas atividades.
Steven Sharif é Acusado de Desvio de Fundos do Kickstarter
O fundador do estúdio, Steven Sharif, levantou suspeitas ao alegar que suas ações eram limitadas por um “conselho”, apesar de ter afirmado anteriormente que não respondia a ninguém sobre Ashes of Creation.
O investidor Jason Caramanis acusou Sharif de desviar fundos do Kickstarter, uma história que foi repercutida por outros portais e pelo YouTuber NefasQS. Este último afirma ter evidências de que Sharif gastou o dinheiro da Intrepid em itens pessoais, como charutos, cartas colecionáveis e microtransações de Fortnite.
NefasQS compilou as transações da Intrepid em uma planilha do Google, que inclui US$ 700 gastos em Fortnite para “pesquisa e desenvolvimento”, entre outras irregularidades. O criador de conteúdo também relata anedotas de funcionários sobre um chef particular contratado com dinheiro da empresa, que cozinhava exclusivamente para Sharif e seu marido em casa, com um custo de US$ 21.000.
Sharif divulgou um comunicado refutando as alegações, afirmando que NefasQS foi alimentado com informações falsas e difamatórias por indivíduos com segundas intenções, buscando litigar a disputa em público. Ele alega que o YouTuber repetiu as acusações sem verificar, agindo como porta-voz para uma narrativa que busca cliques e visualizações, desconsiderando padrões jornalísticos básicos.
Sharif nega veementemente o desvio de fundos do Kickstarter, afirmando que o projeto foi financiado ao longo de muitos anos por diversas fontes, incluindo capital pessoal substancial. Ele categoricamente nega as assertivas sobre “estilo de vida luxuoso” ou uso indevido de fundos da empresa.
Ele acrescenta que um exame dos fatos através do processo judicial já revelou que as partes por trás dessas alegações orquestraram uma execução hipotecária ilegal para tomar o controle dos ativos da Intrepid, com a intenção de explorá-los para benefício próprio. Nesse processo, centenas de desenvolvedores foram demitidos sem aviso prévio, pagamento ou benefícios, violando a lei aplicável.
Essas questões estão sendo tratadas legalmente. Sharif afirma que apresentará materiais adicionais em um tribunal federal que detalham as evidências e demonstram a natureza e a intenção por trás da conduta que levou à destruição da Intrepid.
Independentemente de qualquer má intenção potencial, Ashes of Creation se tornará mais um exemplo de dinheiro de crowdfunding desperdiçado em um projeto mal gerenciado.
Fonte: Thegamer