O projeto cinematográfico Almost There, novo longa-metragem do cineasta Stepan Burnashev, oficializou uma parceria internacional estratégica entre estúdios do Japão, França e da República de Sakha. O anúncio, que atraiu atenções durante o Marché du Film, evento paralelo ao Festival de Cannes, consolida a colaboração entre a Cloud11 Studios, a Les films du Sillon e a Saidam Baryl Ltd. A iniciativa visa criar uma obra de alcance global, unindo a visão artística de Burnashev — um nome já consolidado na cena cinematográfica de Sakha, também conhecida como Yakutia — com a expertise de produtores internacionais.

Detalhes e visão do projeto
O filme é descrito como um “road movie” íntimo, focado na jornada de seus personagens. A produção, que atualmente encontra-se em fase de desenvolvimento, tem como meta a conclusão do roteiro e o início das filmagens para o ano de 2027. O projeto busca equilibrar a especificidade cultural de suas origens com uma ressonância universal, explorando temas profundos como a memória, o isolamento e as complexidades das relações humanas.
A trama central de Almost There acompanha o encontro inesperado entre um homem japonês e um homem da República de Sakha. Segundo a sinopse oficial, ambos se encontram em um estado emocional similar, apesar de possuírem bagagens de vida e origens culturais vastamente diferentes. Incapazes de se desapegar de seus passados, eles iniciam uma jornada em direção a um destino onde esperam confrontar suas angústias. À medida que avançam pelo território japonês, a distância emocional entre eles diminui, dando lugar a uma conexão humana profunda que altera as próprias razões que os levaram a iniciar a viagem.

O diretor Stepan Burnashev, cujos trabalhos anteriores incluem títulos como Aita, Our Winter, Black Snow e The Penthouse, define o filme como um drama masculino contido, porém emocionalmente intenso. Para o cineasta, a obra investiga o que frequentemente permanece oculto sob a superfície da masculinidade, como a vulnerabilidade, o conflito interno e o silêncio. Burnashev explica que um dos personagens se esconde atrás de uma fachada de movimento e confiança, enquanto o outro vive imerso na hesitação e no peso de questões não resolvidas. A produção pretende abordar esses temas com compaixão, evitando o peso excessivo e permitindo que a intimidade surja naturalmente.
Para conferir leveza e dinamismo à narrativa, o longa também incorporará momentos de humor e situações decorrentes de mal-entendidos culturais. As paisagens do Japão desempenharão um papel fundamental, conferindo à obra uma qualidade quase meditativa, que serve como pano de fundo para a evolução dos protagonistas.

A equipe de produção, composta por Hiroyuki Yoshihara (Cloud11 Studios), Emmanuelle Faucilhon (Les films du Sillon) e o próprio Burnashev, está focada na fase de financiamento e refinamento criativo. Yoshihara destacou que o que mais atraiu a equipe foi a confiança narrativa do projeto. Segundo o produtor, o filme não tenta se sobrecarregar com excessos, mas confia no ritmo, na caracterização e no silêncio, o que lhe confere uma identidade cinematográfica forte e precisa. A expectativa é que essa abordagem permita que a história transcenda fronteiras, conectando-se com o público através de uma humanidade compartilhada que ignora as barreiras da linguagem e da cultura.
Fonte: THR