Adam Shankman nega uso de inteligência artificial em Stop! That! Train!

Diretor Adam Shankman desmente rumores sobre uso de IA no novo filme de RuPaul, Stop! That! Train!, e reafirma o trabalho manual de centenas de artistas.

O diretor Adam Shankman, responsável pelo novo longa-metragem Stop! That! Train!, utilizou suas redes sociais para desmentir publicamente alegações de que a produção teria recorrido ao uso de inteligência artificial generativa para a criação de suas cenas. A polêmica ganhou força durante o último fim de semana, quando espectadores e usuários de redes sociais começaram a questionar a origem de certos efeitos visuais presentes no filme, que é protagonizado por RuPaul.

STOP THAT TRAIN First Look Still 2 1
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‘Stop That Train’ Director Shuts Down Claims That RuPaul Movie Used AI: ‘Every Shot Was Made By Human Hands’
‘Stop That Train’ Director Shuts Down Claims That RuPaul Movie Used AI: ‘Every Shot Was Made By Human Hands’

Em uma declaração direta publicada em seu perfil no Instagram, Shankman foi enfático ao negar qualquer participação de ferramentas de IA no processo criativo ou técnico do projeto. O cineasta afirmou que cada plano do filme foi concebido e executado por mãos humanas, destacando o esforço coletivo de uma equipe dedicada. Segundo o diretor, a produção contou com o trabalho de centenas de artistas de efeitos visuais que se dedicaram intensamente para garantir a finalização do longa dentro do cronograma estabelecido para o lançamento.

A controvérsia surgiu após a circulação de comentários em plataformas como o X e o Letterboxd, onde usuários apontaram que a qualidade de certos efeitos visuais parecia suspeita, sugerindo uma possível utilização de tecnologias de geração de imagem. Um dos pontos centrais da especulação foi a menção à empresa Acme AI nos créditos finais, o que levou parte do público a concluir erroneamente que a tecnologia teria sido a responsável pela criação das cenas. Shankman, no entanto, reforçou que o filme é uma obra de alegria e riso, feita inteiramente por profissionais que foram devidamente remunerados por seu trabalho.

O contexto da produção de Stop! That! Train!

Stop! That! Train! marca um momento importante por ser o primeiro longa-metragem derivado do universo de RuPaul’s Drag Race. A produção, que conta com o selo da World of Wonder, traz RuPaul no papel da presidente Judy Gagwell. A trama acompanha a protagonista e um elenco formado por nomes conhecidos da franquia, como Ginger Minj, Jujubee, Brooke Lynn Hytes, Symone, Marcia Marcia Marcia e Latrice Royale, em uma missão para impedir que um trem de alta velocidade, o Glamazon Express, colida contra um desastre natural fictício chamado Stormaganza.

A recepção crítica do filme tem sido mista, mas destaca o carisma do elenco principal. Em sua análise para o The Hollywood Reporter, o crítico David Rooney elogiou a performance de RuPaul, ressaltando sua precisão cômica e a energia que imprime ao papel. Rooney também apontou que, embora nem todas as piadas funcionem, o roteiro assinado por Connor Wright e Christina Friel consegue manter um ritmo acelerado que agrada ao público-alvo, especialmente a comunidade LGBTQ, sem excluir outros espectadores.

A origem das especulações sobre IA

As dúvidas sobre o uso de IA no filme ganharam tração após relatos sobre a atuação da Acme AI, empresa cofundada pelo ex-executivo da Relativity Media, Ryan Kavanaugh. A empresa tem sido notícia no setor por promover tecnologias que visam reduzir custos e encurtar cronogramas de produção através do uso de soundstages de caixa cinza e auxílio de inteligência artificial. A associação do nome da empresa aos créditos de Stop! That! Train! foi o gatilho para que parte da audiência assumisse que o filme teria sido gerado artificialmente.

Apesar da defesa veemente de Adam Shankman, o debate sobre a ética e a transparência no uso de novas tecnologias em Hollywood continua em alta. O diretor, conhecido por trabalhos como Hairspray, reforçou que o projeto é uma celebração do trabalho humano e pediu que o público apoie os artistas envolvidos. O filme tem estreia marcada para o dia 12 de junho, e a expectativa é que a qualidade da obra fale por si mesma, superando as especulações que surgiram antes do lançamento oficial.

A situação reflete um momento de tensão na indústria cinematográfica, onde o público está cada vez mais atento à presença de elementos gerados por IA. A transparência dos estúdios e a comunicação clara dos diretores, como feito por Shankman, tornam-se ferramentas essenciais para manter a confiança dos espectadores. Enquanto o debate sobre o futuro do cinema e a integração de novas tecnologias avança, produções como Stop! That! Train! acabam servindo como um termômetro para a recepção do público em relação a essas inovações.

É importante notar que, em um mercado competitivo, a percepção de autenticidade é um ativo valioso. O esforço de Shankman em esclarecer que o longa não utilizou IA não apenas defende a integridade dos artistas de efeitos visuais, mas também tenta proteger a imagem do filme contra um estigma que poderia prejudicar sua performance nas bilheterias. A indústria, por sua vez, observa atentamente como esses episódios de desmentido público podem influenciar as estratégias de marketing de futuros lançamentos que utilizam tecnologias de ponta.

Em última análise, a controvérsia em torno de Stop! That! Train! sublinha a necessidade de um diálogo mais claro entre estúdios e audiência. Com o avanço das ferramentas digitais, a linha entre o auxílio tecnológico e a substituição do trabalho humano torna-se um ponto de fricção constante. O sucesso ou fracasso do filme, agora, dependerá não apenas da qualidade de seu humor e de suas atuações, mas também da capacidade da produção de se conectar com um público que valoriza, acima de tudo, a criatividade humana.

Fontes: THR Variety